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  <title>CONDE       FERREIRA</title>
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  <description>CONDE       FERREIRA - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Mon, 27 Jun 2011 15:26:16 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Mon, 27 Jun 2011 14:56:28 GMT</pubDate>
  <title>Conde Ferreira</title>
  <author>escolascentenarias</author>
  <link>https://escolascentenarias.blogs.sapo.pt/732.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id=&quot;il_fi&quot; style=&quot;padding-top: 8px; padding-right: 8px; padding-bottom: 8px;&quot; src=&quot;https://1.bp.blogspot.com/_FF1Oh7g-SAE/TNsemLoS3II/AAAAAAAAFbk/vigqppWefVo/s400/condeFerreira.jpg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;250&quot; height=&quot;316&quot; /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Nasceu: &lt;/strong&gt;4 de Outubro de 1782&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Faleceu: &lt;/strong&gt;24 de Março de 1866&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;VIDA:&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Joaquim Ferreira dos Santos nasceu no lugar de Vila Meã, actual lugar de Azevedo, na freguesia de Campanhã, arredores do Porto. Foi o quinto e último filho de João Ferreira dos Santos e de Ana Martins da Luz, um casal de lavradores proprietários pouco abastados com terras em Campanhã, então ainda uma típica freguesia rural do noroeste português.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Conde Ferreira foi um dos grandes impulsionadores da instrução pública em Portugal. Deixou um legado para a construção e mobília de &lt;strong&gt;120 escolas&lt;/strong&gt; primárias de ambos os sexos em terras que fossem cabeças de concelhos, todas com a mesma planta e com habitação para o professor, sendo depois de terminadas entregues às respectivas juntas de paróquia. O seu custo por unidade não deveria exceder &lt;strong&gt;1 200$000&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa vontade corresponde a uma verba do seu testamento em que sobre a construção das escolas, o conde de Ferreira escreveu:&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;left&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;left&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&quot;Convencido de que a instrução pública é um elemento essencial para o bem da Sociedade, quero que os meus testamenteiros mandem construir e mobilar cento e vinte casas para escolas primárias de ambos os sexos nas terras que forem cabeças de concelho sendo todas por uma mesma planta e com acomodação para vivenda do professor, não excedendo o custo de cada casa e mobília a quantia de 1200 reis e pronta que esteja cada casa não mandarão construir   mais de duas casas em cada cabeça de concelho e preferirão aquelas terras que bem entenderem&quot;&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em resultado do legado, o Governo português resolveu regulamentar a forma de atribuição aos municípios das correspondentes dotações, o que foi feito pelo decreto com força de lei de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;21 de Julho&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1886&lt;/span&gt;, do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Mártens&lt;/span&gt;, então responsável pelo sector da instrução pública. Por aquela lei fica estabelecido que para concorrer ao legado, as Câmaras Municipais ou Juntas de Paróquia deviam reunir as seguintes condições:&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;A planta do edifício e do terreno onde houver de ser construído. O terreno não deve ter menos de 600 metros quadrados além da área que for ocupada pelo edifício.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O orçamento da obra projectada.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Cópia do orçamento geral ou suplementar devidamente aprovado, onde esteja votada uma verba não inferior a 400$000 réis para construção da escola pretendida.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Deliberação competentemente aprovada de como se obrigam a executar fielmente a planta no termo de um ano contado desde o dia em que for concedido o subsídio do governo.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;Foram muitas as autarquias que concorreram e este foi o primeiro passo para o surgimento, em vários municípios, de norte a sul de Portugal, de edifícios com uma arquitectura simples, funcional e facilmente identificável. Hoje um marco na história da educação em Portugal, as designadas &quot;Escolas Conde de Ferreira&quot; tiveram uma enorme importância para a consolidação do ensino público.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Das 120 escolas previstas no testamento do conde, foram construídas 91, das quais 21 foram, entretanto, demolidas. As restantes &lt;strong&gt;70 continuam a funcionar&lt;/strong&gt; para os mais diversos fins, desde ensino a serviços municipais, passando por sedes de juntas de freguesias, &lt;br /&gt;bibliotecas, museus municipais ou mesmo instalações de forças de segurança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A escola Conde Ferreira, seguindo um projecto apresentado em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1866&lt;/span&gt;, é encimada por um pequeno frontão, que lembra um campanário, apresentando-se como contraponto da igreja, com a qual procura concorrer, sendo um símbolo do positivismo nascente, aliado do progresso e da transformação social. O derramar da &lt;em&gt;lux da instrução&lt;/em&gt; aparecia como o instrumento fundamental da erradicação das trevas da ignorância e da superstição, uma forma de moralizar e civilizar o povo. O novo templo dessa crença cívica era a escola.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de um curto período como caixeiro no Porto, contrariando os pais, emigrou para o Brasil em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1800&lt;/span&gt;, levando consigo carta de recomendação dirigida a um parente que se encontrava estabelecido como comerciante no &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Rio de Janeiro&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Brasil, ajudado e protegido pelo seu parente, foi prosperando no negócio, dedicando-se ao comércio por &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;consignação&lt;/span&gt; de produtos enviados do Porto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de ter estabelecido relações comerciais entre a sua casa e a praça de Buenos Aires, dirigiu as suas atenções para África, com o intuito de alargar as suas relações com essa parte do mundo, foi três vezes a Molumbo, Angola, onde criou várias feitorias e montou um lucrativo negócio negreiro, importando cerca de 10 mil escravos para o Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1828&lt;/span&gt; contribuiu com importantes donativos para os emigrados portugueses no Brasil, declarando-se partidário da causa política de D. Maria II, para a qual contribuiu com avultadas somas de dinheiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Casou no &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Rio de Janeiro&lt;/span&gt; com Severa Lastra, de nacionalidade argentina, de quem teve um filho, que morreu criança na mesma cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Regressou e estabeleceu-se como grande capitalista e proprietário na cidade do Porto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A rainha D. &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Maria II de Portugal&lt;/span&gt; agraciou Joaquim Ferreira dos Santos com o título de barão, por decreto de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;7 de &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Outubro&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1842&lt;/span&gt;, de visconde, em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;22 de Junho&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1843&lt;/span&gt;, e de conde de Ferreira, em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;6 de Agosto&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1850&lt;/span&gt;, pelos serviços prestados ao País e ao Partido Constitucional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ingressou na política activa durante o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;cabralismo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, sendo feito &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;par do Reino&lt;/span&gt; por carta régia de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;3 de Maio&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1842&lt;/span&gt;. Foi também feito fidalgo cavaleiro da Casa Real, membro do conselho da rainha D. Maria II, comendador da &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Ordem de Cristo&lt;/span&gt; e recebeu a grã-cruz da &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Ordem de Isabel a Católica&lt;/span&gt; de Espanha. Faleceu na cidade do Porto em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;24 de Março&lt;/span&gt; de &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1866&lt;/span&gt;, com 84 anos de idade, data que aparece inscrita sobre a porta das escolas financiadas pelo seu legado. Está sepultado num &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;mausoléu&lt;/span&gt; no &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;Cemitério de Agramonte&lt;/span&gt;, concluído em &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;1876&lt;/span&gt;, dez anos após o seu falecimento, obra do escultor &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;António Soares dos Reis&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na falta de descendência legítima e possuindo avultados rendimentos, deixou a sua fortuna a um grande conjunto de beneficiários, entre os quais muitos colaboradores, parentes e amigos, e instituições como a Santa Casa da Misericórdia do Porto e as Ordens Terceiras do Terço, Carmo, Trindade e São Francisco. Destinou ainda fundos para a construção de 120 escolas e um hospital para doentes mentais. Além de muitos donativos oferecidos a diversas instituições no Brasil, ainda conseguiu doar ao Estado Português &lt;strong&gt;144 000$000 &lt;span style=&quot;color: #000000;&quot;&gt;réis&lt;/span&gt; para construir 120 escolas&lt;/strong&gt;, para cuja construção se seguiu uma planta única, pois era mais prático, económico e rápido. Foi o grande mecenas da instrução primária em Portugal, colocando como condição que as escolas a construir o fossem em sede de concelho e que tivessem aposentos para os professores residirem.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>a sabedoria deste senhor</category>
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